Canoas de madeira no Cantão: tradição, matéria-prima e cultura
A madeira e a escolha da matéria-prima
Na região do Rio Araguaia, o uso da madeira para canoas escavadas tem longa história. As chamadas “canoas de um pau só” são feitas a partir da escavação de um único tronco da árvore conhecida popularmente como landim (Calophyllum brasiliense), e foram utilizadas tradicionalmente por povos indígenas e ribeirinhos no Brasil, especialmente em ambientes de planície de inundação, rios largos e regiões de várzea.
A técnica envolve não só a escavação do tronco, mas também o acabamento cuidadoso para ajustar a espessura da casca interna, dar equilíbrio à embarcação e garantir sua flutuação e segurança. Essas canoas transmitem saberes tradicionais, como a seleção da árvore adequada, o processo artesanal de escavação, a adaptação às águas das várzeas e canais inundados, além do domínio da navegação com remo ou outro impulso.

A árvore landim é fundamental na perpetuação dessa tradição. Trata-se de uma espécie nativa e considerada madeira de lei, valorizada por sua qualidade e resistência. Encontrada em áreas úmidas, como os igapós do Cantão, o landim possui tronco reto, volumoso e é naturalmente resistente à umidade e ao ataque de insetos, características que a tornam ideal para a construção de canoas tradicionais. Nas florestas inundadas da Amazônia, a canoa de um pau só continua sendo a embarcação ideal para deslocamentos rápidos, pesca, transporte de pessoas e produtos, sustentando a atividade econômica e social de ribeirinhos e indígenas.
A tradição que se mantém no Cantão
Sob a ação do Instituto Araguaia, o uso de canoas de madeira tradicionais ainda é reconhecido e valorizado. Anualmente, essas embarcações são protagonistas no Festival de Canoagem e Cultura do Cantão (clique aqui). O evento ajuda a reavivar a fabricação artesanal dessas canoas, promovendo o reconhecimento dos canoístas e artesãos locais e trazendo a canoa como símbolo central da celebração.

O festival também promove a sensibilização ambiental, o turismo sustentável e a valorização das culturas tradicionais da região. Assim, a canoa de madeira de tronco único torna-se um símbolo da identidade cultural do Cantão, representando o modo de vida ribeirinho e indígena, e reforçando a conexão histórica e ecológica com o Rio Araguaia e os ecossistemas de várzea que caracterizam essa paisagem única.

