Um safári brasileiro: os felinos do Cantão
Imagine um lugar onde rios, lagos e florestas se encontram para formar um dos mais ricos mosaicos naturais do Brasil. Assim é o Cantão, no oeste do Tocantins, onde o Cerrado e a Amazônia se encontram. Com mais de 800 lagos e uma biodiversidade impressionante, esse paraíso é um dos melhores destinos do país para quem ama aventura, natureza selvagem e observação de fauna.
E entre as muitas surpresas que o Cantão reserva, uma delas se destaca: a possibilidade de avistar os cinco grandes felinos do Cerrado em um só lugar. Você já pensou em ver uma onça-pintada solta na natureza? Ou talvez escutar, ao longe, o ronronar de uma onça-parda? No Cantão, isso é uma possibilidade real. A região abriga cinco espécies de felinos silvestres, cada uma com seus mistérios, comportamentos e belezas únicas.
Onça-pintada (Panthera onca): a rainha da floresta
Maior felino das Américas, a onça-pintada é símbolo de força e equilíbrio ecológico. Solitária e discreta, ela percorre grandes áreas em busca de presas e abrigo. No Cantão, há registros de sua presença e, inclusive, da raríssima onça-preta, uma variação melânica que impressiona com sua pelagem escura e olhar penetrante. Avistar uma dessas em um ambiente natural sem influência do ser humano é uma experiência que poucos no mundo podem contar!
Onça-parda (Puma concolor): o fantasma dos matos
Também conhecido como onça-vermelha ou suçuarana, a onça-parda é uma caçadora ágil e silenciosa. Apesar de ser o segundo maior felino da América do Sul, ele costuma evitar o contato com humanos. Seus passos leves cruzam trilhas e bordas de floresta durante o amanhecer ou entardecer. No Cantão, a onça-parda encontra o habitat perfeito entre matas densas e áreas abertas.
Jaguatirica (Leopardus pardalis): beleza entre manchas
Com suas manchas hipnotizantes e movimentos elegantes, a jaguatirica parece ter saído de uma pintura. De hábitos mais noturnos, ela gosta de áreas próximas a água e vegetação densa, onde caça pequenos animais com precisão. No Cantão, seus olhos atentos cruzam trilhas ao entardecer e vigiam a mata sob a luz da lua.
Gato-maracajá (Leopardus wiedii): o acrobata da floresta
Parecido com a jaguatirica, mas mais adaptado à vida nas árvores, o gato-maracajá é um verdadeiro equilibrista das copas. Ele se move entre galhos com agilidade surpreendente, caçando e se escondendo nas sombras. Ver um desses exige sorte e silêncio, mas saber que eles estão ali torna o passeio ainda mais atrativo.
Gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi): discreto e curioso
Também conhecido como jaguarundi, possui o corpo alongado e pelagem com tons que variam do preto-acinzentado ao laranja. É um dos poucos que pode ser visto durante o dia, especialmente em áreas mais abertas. Apesar de ser tímido, ele é curioso e adaptável e já foi registrado no Cantão, o que mostra o quanto a região ainda guarda surpresas incríveis.
Um convite à aventura
Explorar o Cantão é muito mais do que fazer uma trilha ou remar por um lago. É entrar em contato com uma natureza viva, pulsante, onde a chance de cruzar o caminho com um dos felinos do Cerrado deixa qualquer passeio mais emocionante. Mesmo quando eles não aparecem, a possibilidade de vê-los ou de encontrar pegadas, marcas e sons já faz o coração bater mais forte.

